Se é verdade que a pandemia deu força ao comércio eletrónico, não é menos verdade que arruinou (espera-se que temporariamente) uma das novas profissões com maior crescimento mundial nos últimos três anos, os influenciadores digitais.

Previa-se que este fosse o ano de solidificação e glória do marketing de influência. A previsão saiu furada, tal como as previsões dos astrólogos para 2020. Num dia cobram 3500 euros por uma publicação no Instagram e no outro já estão sem dinheiro para encomendar uma pizza. De um dia para o outro, o consumismo caiu a pique e as marcas deixaram de saber como comunicar para um consumidor desconfiado e completamente privado da sua liberdade. Um dos setores mais afetados foi o turismo, curiosamente, setor onde incide a maior fatia de influenciadores nas redes sociais. Deixou de fazer sentido publicar aquela fotografia fantástica a promover um resort em Cancún. Os aviões estacionaram e as fronteiras fecharam. Ninguém acredita que aquele influencer foi de barco a remos até lá e parece que publicar um #trowback não vende. A cultura e o estilo de vida que promovem estes millennials levará tempo a regressar. Além disso, não faltam casos de instagrammers que não perceberam a sensibilidade de fazer determinadas publicações em tempos de confinamento e apostaram em posts com férias, festas e aglomerações. Os resultados foram catastróficos, com marcas a denunciar contratos milionários e milhões de seguidores a destilar ódio nas suas páginas.

Bem, mas o verdadeiro desafio coloca-se por outra razão. As pessoas mudaram. Em poucos dias, abrandaram o ritmo de vida e é um facto que isso trouxe inúmeros benefícios sociais e planetários, à exceção da economia. As empresas descobriram que os trabalhadores são mais eficientes a trabalhar a partir de casa, as famílias perceberam que união era o ingrediente que faltava na receita caseira e os jovens chegaram à conclusão que é possível passar tempo de qualidade perto de casa e podem usar o carro apenas para fazer viagens essenciais. Aliado a isto, muitas famílias perceberam que ter uma boa poupança é fundamental para enfrentar épocas atípicas como a que estamos a passar. Em lay-off não há margem para gastar centenas ou milhares de euros naquela máquina milagrosa anti olheiras que a influencer está a promover ou encomendar duas paletes de suplementos alimentares com o cupão POUPASSES10.

Estou certo de que melhores dias virão e os influenciadores digitais são os soldados da linha da frente para trazer a normalidade às pessoas, que tanto tempo têm passado a olhar para o ecrã, mas que parece que aprenderam a distinguir o genuíno e real, do comercial e falso.

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