Festival da Canção, Conan Osiris e Eurovisão. São temas quentes na internet. Se a música é boa e merece estar a representar Portugal? É discutível. O que não é discutível é a excelente postura de marketing tomada pelo artista. Mesmo que involuntariamente, seguiu todos os pressupostos de um bom planeamento de marketing.

Começou por fazer um olhar crítico a toda a envolvência do festival e percebeu, desde logo, que a vitória tem estado do lado dos artistas mais irreverentes e com músicas fora da caixa. Criou awareness (consciência da marca), estimulando a criação de notoriedade junto do público. Seguiu-se um forte referal e engagement (ser referido e criar envolvimento entre si e o público). Pontos a dobrar para este feito, já que o fez apenas com criatividade e sem recurso a grandes investimentos financeiros. Por fim, verificou-se a ocorrência de conversion (convenceu o público-alvo).

 

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Ganhou, certo? Então não existem dúvidas que foi um sucesso. Criou buzz e, inconscientemente, tornou uma atuação que parecia uma piada num elemento viral que fez correr muita tinta nas revistas e que encheu os feeds das redes sociais.

Parece clichê, mas não tenho dúvidas que alguém próximo do artista lhe disse ao ouvido: «falem bem ou mal de ti, meu caro, o que interessa é que falem».

A base da estratégia de marketing de Osiris foi marcar o seu posicionamento. E acertou em cheio! Definiu a forma como queria que a sua música e o seu estilo fossem percepcionados pelo público e apresentou a música e as atuações de forma coerente, tendo em conta a imagem que desejou formar na mente do seu consumidor – o público que votou nele.

Porque é que o seu dançarino também demonstra elementos extravagantes e despreocupados? Porque é importante manter a estratégia de foco e de diferenciação. Parece que estamos a chegar ao modelo das Cinco Forças de Porter, concebido por Michael Porter. Só fica de fora a relação de custo-benefício. Ou será que também está implícita? Sim, está! A procura pela eficiência e maximização dos custos acontece quando o artista paga os custos iniciais para participar no concurso e, vencendo o mesmo, acaba por adquirir um voucher volumoso com publicidade grátis, deslocações garantidas e projeção nacional e internacional a cargo do organizador do concurso.

A certeza é só uma: Portugal tem mesmo os melhores artistas e marketers do mundo!

 

Artigo de Opinião de João Valente, publicado dia 26 de Março, no Diário de Aveiro.

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