Eu emigro, tu emigras, ele emigra, nós emigramos… a mão de obra qualificada emigra, os recursos ficam, a produtividade fica envergonhada com os níveis que alcança…

Conquistamos Ceuta, descobrimos os Açores, a Madeira, dobramos o cabo Bojador, fomos além do Cabo Verde, contribuímos de forma invejável na construção do primeiro mapa múndi, passamos todas as aventuras para o papel e somos reconhecidos por isso e muito mais!! Esperem…somos? Ou fomos?!

Continuamos a percorrer um caminho invejável, somos responsáveis pelo maior evento de empreendedorismo da Europa, pelo maior festival da Europa, temos faculdades a liderar o ranking do Financial Times…e continuamos a achar que somos apenas um pequeno país a quem Espanha faz sombra…. Somos uma das nações mais antigas do Mundo mas continuamos a remar para fugirmos daqui para fora…

Remamos em busca de oportunidades, formamo-nos cá dentro, deixamos todo o nosso empenho lá fora, mas até que ponto vale a pena?! Podemos aplicar a nossa tão célebre frase “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”?!

O desespero chega a ser tão grande que por vezes nos lançamos ao mar sem pensar nos tubarões que vamos enfrentar…pois bem, poupo-vos essa tão árdua tarefa, sem códigos ou discursos politicamente corretos deixo-vos tudo o que os números nos dizem sobre a emigração, desde o preço da cerveja ao salário que podes esperar em cada país analisado, passando pela casinha, transportes e todas essas coisas que te vão dar muita dor de cabeça nos primeiros tempos desta nova aventura.

Somos jovens, formados, com uma das mais completas formações do mundo, somos persistentes e não costumamos baixar os braços à primeira dificuldade. Ao contrário do que todos dizem, sermos a “geração à rasca” fez-nos levantar a cabeça, lutar, para que os nossos filhos não fiquem sujeitos às premissas de tal geração.

Não nos conformamos, remamos atrás de mais e melhor, a âncora que nos prende a Portugal não é forte o suficiente, o ninho dos papás por mais confortável que seja não te vai concretizar para sempre… Cá vamos nós… mochila aos ombros, coragem nos bolsos, irreverência a correr pelo corpo todo… Espanha, França, Alemanha, Suíça, Noruega talvez…uma pequena amostra do mundo que tens aos teus pés e sobre os quais te vou alertar!

1º Conselho: Vai, amealha e constrói o futuro que anseias, por esta exata ordem; se tentas construir a casa pelo telhado acabas completamente endividado!



Portugal vs. Espanha: inovadores moderados, políticas públicas comuns provenientes da União Europeia, disparidade de salários anulada pela disparidade de preços; 2º Conselho: Não troques o teu peixe que apesar de pequeno é certinho para explorares estes mares!

Portugal vs. França/Alemanha: remamos mais um bocado, continuamos na União Europeia, já mais que duplicamos o nosso salário, mais oportunidades, mais rigor, provavelmente vais continuar a sentir-te em casa com a quantidade de Zé Povinho à tua volta! 3ª Conselho: VAI!

Portugal vs. Noruega/Suíça: fora da União Europeia, dentro da Europa, já quadruplicamos o nosso salário. Por um lado, temos um membro do Espaço Económico Europeu, sempre no topo dos rankings globais de qualidade de vida, com um índice de escolaridade elevadíssimo, a Noruega; por outro temos um país com mais de uma centena de acordos setoriais específicos com a UE, um dos países mais ricos do mundo, com um PIB per capita maior que as grandes economias da Europa Ocidental, a Suíça! 4º Conselho: Não te assustes com os T1 a mais de 1000€, vai valer a pena, agarra num amigo e remem juntos!

 

 

Conclusão das conclusões?! Há riscos, claro que os há, não sejas avesso, vai, coleta memórias, aprendizagens, enaltece as tuas soft skils, mas volta, volta e emprega as boas práticas cá, melhora as menos boas e coloca novamente o teu país nas bocas do mundo!!

Isabel Gonçalves
Mestrado Economia
Universidade de Aveiro
(c.isabelgoncalves@ua.pt)