Na mesma semana em que a moeda digital superou um novo máximo histórico, acima de 13 mil euros por unidade, foi anunciado que vai entrar na alta finança ainda este mês através da Bolsa de Chicago (CME), sendo esperada estabilização do valor e diminuição da volatilidade que a caracteriza.

A bitcoin começou a ser conhecida em 2011, poucos anos depois de ter sido misteriosamente criada. Na altura era fácil obter algumas unidades, bastando ter um computador com acesso à internet e investindo maioritariamente… eletricidade! Atualmente, obter moeda é um processo difícil, dispendioso e demorado. Não existe um banco central a gerir as transações, já que o registo global é feito na base da bitcoin. A esse registo chama-se blockchain e é lá que estão assinaladas todas as transações entre investidores.

 

Escrever sobre este tema é arriscado porque em poucos minutos tudo pode mudar e, se neste momento, quem, como eu, conheceu a criptomoeda pouco depois do seu lançamento, põe as mãos na cabeça por não ter apostado nela quando a unidade valia menos que um pastel de nata e um café. À data da sua leitura, a moeda pode até já estar em queda e avizinhar-se o seu fim. Os indicadores dão confiança aos investidores, mas tal como diz o provérbio popular português, quem tem cu, tem medo.

Para exemplificar o crescimento da moeda digital, podemos recorrer a alguns exemplos práticos: se em 2011 tivesse aplicado 75 euros em bitcoins, teria comprado 333 moedas. Hoje, essas moedas dariam para comprar confortavelmente um palácio T5 Triplex no Príncipe Real em Lisboa ou um veloz Bugatti Veyron Super Sport, novinho em folha.

Depois de todo este crescimento, em valor e mediatismo, será que a bitcoin é mesmo uma “fraude para estúpidos” como avisou o presidente do JP Morgan, ou estará também ele com nervos à flor da pele por ter deixado escapar uma boa oportunidade de enriquecer sem se levantar da cadeira?

Adorada por uns e odiada por outros, foi chamado de “investimento exótico” pelos analistas do Crédit Suisse, devido à segurança e aos baixos custos que permitem que as moedas digitais consigam trazer vantagens significativas para as transações financeiras. Mas nem tudo são rosas, a falta de regulamentação e transparência aumenta a fragilidade e a legalidade de transações com moedas digitais. Numa adaptação livre da famosa rábula de Marcelo Rebelo de Sousa: “é mais ou menos legal, mas pode-se fazer“. A novela da bitcoin ainda agora começou e eu já estou agarrado às pipocas. Boas festas!

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