Este é um artigo de opinião da autoria de João Valente.

É interessante perceber o ciclo de evolução e a forma como as novas empresas e os novos empreendedores fazem com que surjam novas realidades.

Pensemos por exemplo na Uber que é a maior empresa com atividade relacionada com o transporte de passageiros e não tem viaturas. Ou no Facebook, onde encontra todo o tipo de informação, mas que não produz conteúdo. Ou ainda no Alibaba, que é um dos retalhistas mais valiosos do mundo e não tem nenhum produto em stock. E ainda a nova plataforma digital, Airbnb, onde qualquer proprietário de um imóvel pode anunciar o seu espaço e reservar alojamentos exclusivos em qualquer lugar do mundo. Esta plataforma já é considerada uma das maiores centrais de reservas de alojamento do mundo e não comprou um único quarto para arrendar.

Estamos a falar de uma evolução premeditada e interessante ou será inconveniente? Na minha opinião, depende do ponto de vista.

figura-do-artigo-%22a-uber-%22Vejamos então: estão constantemente a aparecer novos serviços que apostam na economia compartilhada tendo como base esta evolução com benefícios como a aproximação de desconhecidos, o aumento da produtividade e a poupança no final do mês. Hoje em dia pode pegar no seu smartphone, descarregar uma aplicação que foi pensada para que possa alugar um berbequim a algum vizinho, fazer o buraco na sua parede e devolver em seguida, pagando apenas pelo uso durante um curto espaço de tempo. Este é um exemplo caricato, mas real. Contudo, e não menos importante, não nos poderemos esquecer do passado e ter em conta que grande parte destes serviços foram adaptados de atividades com largas décadas ou séculos de história e que devem ser respeitadas, tal como os seus trabalhadores. É sabido que a evolução está a ser acompanhada pela substituição da mão de obra real por máquinas ou algoritmos, mas cabe a nós, empreendedores continuar a apostar e acreditar no potencial humano que em muitos casos não deve ser substituído.

Há quem fale em transformação digital, um novo pilar da evolução tecnológica, mas para que continue a existir essa transformação é essencial que se aposte em infraestruturas e na formação de profissionais para lidar com esta evolução que deverá sempre respeitar a raiz de todo o processo: o ser humano, neste caso a mão de obra qualificada. Como diria o brilhante economista Joseph Alois Schumpeter, no princípio toda inovação é destruidora e só aos poucos ela assenta e mostra os seus benefícios, passando a fazer sentido para o consumidor. A evolução da tecnologia tem ajudado todas as empresas, sem exceção, a melhorar e modernizar os seus processos, oferecendo uma experiência otimizada e apoiando na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos que vão ao encontro da procura do consumidor. Cabe a todos nós acompanhar esta evolução, adequá-la ao nosso bem-estar e usá-la em beneficio da nossa geração e das gerações vindouras.

Artigo publicado no jornal Diário de Aveiro de 8 de Dezembro de 2016, autoria de João Valente.

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