Artigo de Opinião da autoria de João Valente.

Black Friday, ou Sexta-feira Negra, nada mais é que uma importação de uma celebração comercial dos nossos parceiros na NATO, isto é, os Estados Unidos da América.

Felizmente, cá em Portugal as maiores loucuras que se cometem nessas épocas são erros como o da Fnac, que no meio de tanto entusiasmo se descuidou no link enviado para os portadores do cartão aderente e fez com que cerca de 60 mil clientes recebessem um link não registado que a Worten aproveitou para registar segundos depois, sem dó nem piedade. Talvez até tenha sido positivo para a Fnac graças à massiva divulgação na imprensa que este erro deu origem.

heres-a-complete-list-of-black-friday-store-hoursO mesmo não acontece no outro lado do Atlântico, onde nestes dias comprar nas lojas da Walmart, por exemplo, pode ter o mesmo grau de dificuldade que exigentes provas militares. Para os americanos é considerado o dia do início da época natalícia, sendo feriado para funcionários públicos em alguns estados dos EUA, como a Califórnia.

Cá, vemos nos portugueses uma alegria consumista que percorre grande parte das localidades do país e enche lojas de centros comerciais e entope os sites das principais lojas de roupa, mas bem mais tímidos e mais contidos que noutros países. Sabe que, segundo a DECO, um em cada 20 produtos com descontos anunciados na Black Friday viola a lei dos saldos e das promoções e a lei das práticas comerciais desleais? Muitas lojas chegam a aumentar os preços dez dias antes, fazendo o consumidor acreditar que está a comprar com um desconto real.

Mas atenção, até ao final do ano existem outras datas que estimulam o consumismo, desde “Cyber Mondays” a fins de semana de liquidação total que prometem esgotar o stock de meias para oferecer na noite de consoada. Sejamos racionais e pensemos na mensagem da Associação Ambientalista Zero em relação aos excessos de consumo que “levam ao desperdício e ao fomento do descartável e estão na base de uma economia (des)estruturada no crescimento da utilização de recursos naturais que não existirão num futuro próximo”. Quando a oferta é muita há que desconfiar, por isso seja seletivo, aproveite o que realmente vale a pena e não se deixe levar pela febre de consumo que estas ocasiões proporcionam através de campanhas extremamente agressivas e muito persuasivas que o levam a acreditar que deve aproveitar esta ocasião para comprar uma série de produtos que na verdade nem necessita. Vai na volta e estão mais caros do que estavam em Outubro.

Artigo publicado no jornal Diário de Aveiro de 10 de Dezembro de 2016, autoria de João Valente.