No ramo profissional existem dois grupos de pessoas no mundo: um conhecido como o grupo dos líderes e o outro como o dos seguidores. Pertencer ao grupo dos seguidores não é motivo de vergonha, mas também não é motivo de orgulho.

Grande parte dos líderes da atualidade começaram como seguidores e tornaram-se líderes porque pertenciam ao grupo de seguidores com visão, motivados e com capacidade de aprender com os líderes ao mesmo tempo que trabalharam a sua presença e o seu marketing pessoal.

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É importante perceber a diferença entre trabalhar a sua postura diante de um líder, de um cliente, de um colaborador ou de um amigo e vender-se para que gostem de si. Não conseguirá ser reconhecido e respeitado se não mostrar coragem e confiança baseada no conhecimento de si próprio e do seu trabalho. Não pode exigir que o respeitem e que o sigam se mostrar falta de autoconfiança e coragem.

O mesmo acontece com o autocontrolo. Para fugir ao rótulo de empreendedor convencido é comum que as pessoas assumam uma postura excessivamente humilde, como orgulhar-se do sucesso fosse algo negativo. É perfeitamente possível fazer marketing pessoal sem criar uma aura de prepotência. Ser um líder não se trata de dizer às pessoas que é competente, mas mostrar-lhes isso.

Através das redes sociais é simples criar uma página e promover-se diariamente, mas será que é a promoção dos seus feitos heroicos que o seu grupo de seguidores valoriza? Partilhar conhecimento e cooperar com quem o segue é, certamente, a melhor decisão. Dificilmente será valorizado e pago por aquilo que sabe, mas será valorizado e pago por aquilo que faz com aquilo que sabe. Liderança exige poder e o poder exige cooperação.

As duas características descritas em cima – autoconfiança e autocontrolo, são, curiosamente, as duas características que faltam a quem não constrói uma boa reputação e prefere vender-se.

Depois de afastada a ideia de se vender, um bom profissional tem que construir uma excelente reputação junto do seu público-alvo de forma equilibrada e elegante, sempre mantendo a autenticidade.

Com a evolução dos hábitos e inclusão da era digital, as pessoas estão a pesquisar no Google o nome da pessoa com quem acabaram de falar mesmo antes de conhecer essa pessoa pessoalmente. É, por isso mesmo, necessário trabalhar a sua imagem para que seja positiva, mas também coerente com a realidade. O mesmo deverá acontecer na sua vida pessoal.

No senso comum, quando se fala em “produto”, é habitual pensar-se numa embalagem bonita, atrativa e com conteúdo. Porém, se esta embalagem vier vazia, deixa de ser um produto e passa a ser uma simples embalagem. Com o ser humano acontece o mesmo e é aqui que entra o marketing pessoal. Tanto um bom seguidor como um bom líder partilham características impossíveis de comprar e que fazem toda a diferença: a ética, organização, responsabilidade, coerência, bondade, preferência pela qualidade ao invés da quantidade e acima de tudo a consciência de que diariamente estamos a aprender – seja com o autor do livro que andamos a ler, seja com o jardineiro ou até com as crianças. Quer faça parte do grupo de líderes ou do grupo de seguidores, trabalhe o seu marketing pessoal sendo uma pessoa otimista, trabalhadora e que partilha o seu conhecimento enquanto está receptivo para aprender com os outros.

Lembre-se da diferença entre ser valorizado e vender-se, porque não interessa simplesmente ser notado, mas sim ser notado pelas suas qualidades, habilidades e competências.

Artigo de opinião publicado quarta-feira, dia 12 de outubro de 2016, no Diário de Aveiro.

Artigo de opinião publicado quarta-feira, dia 12 de outubro de 2016, no Diário de Aveiro.